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domingo, 23 de janeiro de 2011

Momentos da Vida - Parte 33

Dia 1º de Novembro.
Faltava um mês para o fim das aulas. Graças a muito esforço, as minhas notas estavam excelentes e eu não estava nem um pouco preocupada em não passar de ano. Já Ana, Léo, Vitor, e mais outros amigos que eu tinha, estavam começando a perceber que as coisas não estavam tão bem assim. Ana, Vitor, Carla (uma amiga de Ana), e Fábio (amigo de Ana mencionado anteriormente) marcaram de estudar juntos duas vezes por semana na biblioteca da escola. E Ana me ligava quase todos os dias para tirar dúvidas sobre algum exercício, que normalmente ela desistiria de fazer sem tentar duas vezes. Não estava acontecendo mais nenhuma festa, e nossas saídas à noite estavam bem mais raras, culpa das provas e trabalhos. Léo e eu estávamos estudando uma vez por semana, por meia hora a mais que o normal. Mais pelo Léo do que por mim, eu não precisava aumentar o meu tempo de estudo.
Era uma terça feira à tarde, e eu estava saindo pra ir encontrar o Gabriel, e depois ir estudar com o Léo. E estava chovendo. Ultimamente todo o dia chovia, por causa do calor, e eu já estava me acostumando. Até que gostava da chuva, ela refrescava o ar e deixava a cidade mais limpa.
Eu peguei meu guarda-chuva que já estava pendurado ao lado da porta de entrada de minha casa e avisei minha mãe que estava indo estudar. Minha mãe respondeu algo que parecia com “bom estudo” e eu sai. Não estava chovendo tanto, então eu podia ir a pé. Eu fui meio correndinho até a casa de Gabriel, que estava me esperando do lado de fora da porta. Quando ele me viu, ele correu até mim e me trouxe pra baixo do telhado da varanda.
- Se eu soubesse que estaria chovendo, eu não tinha te chamado aqui.
- Não tem problema, não me molhei muito. – Olhei pra mim mesma e vi que eu estava errada, minhas calças estavam encharcadas até os joelhos – Só um pouco.
- Bom, eu te chamei pra te pedir um favor.
- O que é?
- Não é bem um favor, eu queria te contar uma coisa e pedir um favor anexado...
- Pode falar Gabriel. – Eu falei sorrindo.
- Eu... Vou viajar com minha mãe.
Eu continuei o olhando, esperando que ele continuasse.
- Pra trabalho, e quer me levar pra conhecer a Alemanha... Eu disse á ela que não quero ir, mas ela muda de idéia.
- Vai ser legal. – Eu disse.
- É, pode ser... Eu não queria ir, não gosto muito de viajar...
- Não?
- Não.
- Por quê?
- Bom, não sei bem. Simplesmente não gosto.
- Sei. Mas quanto tempo?
- Seis meses, talvez mais.
Eu não disse nada, pelo simples fato de que não sabia o que dizer.
- É... - ele disse desanimado - eu acho que vai demorar pra passar...
Ficamos em silêncio por um momento, então perguntei:
- Você disse que tinha um favor anexado.
- Sim. Na verdade, foi a minha mãe que pediu... Ela quer que você pegue as matérias no colégio pra mim enquanto eu estiver fora...
- Claro, eu faço isso.
- Obrigada Le.
- Não é nada. – eu disse com um sorriso no rosto. – Eu tenho que ir estudar. O Léo ta esperando.
- Ah sim. Quer que minha mãe te leve? A chuva parece ter aumentado...
- Não, não. Obrigada.
Ele me deu um beijo e eu sai correndo em baixo do meu guarda-chuva. Quando me lembrei, eu virei e gritei o nome dele, mas ele já tinha entrado em casa. Me virei novamente para ir embora e ele abriu a porta e me chamou. Eu olhei pra ele de novo e perguntei:
- Quando você vai?
- Quando as aulas acabarem. – Ele respondeu.
(continua)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Momentos da Vida - Parte 32

Os próximos dias passaram devagar. Eu e Gabriel não tocamos mais no assunto e eu tentei convencer a mim mesma, mais uma vez, que eu não amava mais o Léo, com o tempo eu me esqueci das conclusões chegadas na noite da festa de Vitor e foquei meus pensamentos em Gabriel, mesmo que lá no fundo do meu coração, o que eu queria mesmo era o Léo.
Com tudo isso acontecendo, mais dois meses se passaram. Em outubro eu e Gabriel estávamos muito bem juntos, Ana e Vitor estavam com um relacionamento que podia ser definido como “algo entre namorar e ficar”, exatamente como antes de ele ir embora. Léo e eu estávamos bem, como amigos, bons amigos, bem próximos. Eu costumava estudar com ele toda semana, e nós íamos embora todos os dias juntos, mas nunca deixando passar para algo além de amizade. Até porque Leo estava meio envolvido com uma garota que ele conhecia das férias de não sei quando, com certeza nada além de um simples passa-tempo pra ele.
Dani e Ana continuavam trocando sorrisos e ela continuava a dizer que se sentia atraída por ele toda vez que nós o víamos. Mas eu não me importava, afinal, falar que gostava de outros garotos além do Vitor não era, nem de longe, a pior coisa que ela fazia. Como amiga dela, eu não podia contar á ninguém, mas eu sabia que, de vez em quando, ela andava ficando com um garoto aqui, e outro ali, pelas costas do Vitor. Mesmo ela gostando dele de verdade, ela não podia se conter. E como nenhuma de nós era ingênua, sabíamos que Vitor fazia o mesmo. Mas como a Ana sempre me dizia quando pensava em ficar contra o comportamento dos dois “Nós dois estamos numa relação aberta. Porque nenhum de nós gosta de ficar preso ao outro”.
(continua)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Momentos da Vida - Parte 31

Ficamos no Osmet por mais ou menos uma meia hora, Ana e Vitor ficavam trocando olhares e sorrisos enquanto nós duas conversávamos, e alguma vezes eu tive que lembrar-la de que eu estava ali.
Quando fomos embora, ela olhou por sobre o ombro algumas vezes e eu a vi sorrir pra si mesma quando Vitor mandou um beijo soprado pra ela.
Ana ligou pra sua mãe e foi embora depois de insistir em me dar uma carona. E eu ter decidido não voltar ainda e recusar a carona.
Eu particularmente tinha gostado daquela praia perto da casa do Vitor, e naquele momento senti uma vontade de estar lá novamente. Como tinha a tarde toda livre, procurei em minha bolsa por algum dinheiro e segui até o ponto de ônibus. Enquanto eu sentava em um dos vários bancos disponíveis, peguei meu celular e liguei pra minha mãe pra avisar que não voltaria ainda pra casa.
Depois de mais ou menos uma hora passeando pelas ruas da cidade, o ônibus chegou ao ponto, bem na frente da praia, do outro lado da cidade. Eu desci do ônibus e tirei meus tênis, e fui caminhando pela areia até onde as pequenas ondas quebravam.
Fui andando pela costa, deixando que a água molhasse meus pés, e não pude conter o pensamento sobre a noite passada ali.
Por mais que eu lutasse contra aquilo, era tudo verdade. Mesmo tendo passado dois meses desde aquele sábado, eu continuava desejando que o Léo ainda fosse meu. Eu continuava, mesmo que escondido de mim mesma, amando ele.
Se eu quisesse namorar Léo de novo, bastava ligar pra ele e pedir pra nos encontrarmos. Ele ainda queria isso, ele havia deixado claro que ainda me amava. Mas o fato é que, mesmo que eu ainda o amasse, mesmo que eu desejasse que nada disso tivesse acontecido, eu não conseguia simplesmente esquecer, e voltar com ele como se nada tivesse acontecido. Querendo ou não, Léo tinha sim me traído, e isso tinha sim algum significado. E por mais que talvez quisesse perdoá-lo, eu não podia. Simplesmente não podia.
E sim, eu gostava de Gabriel, talvez muito, mas isso não mudava nada dentro de mim. Eu queria poder apagar Léo de minha mente, e ter apenas um garoto nela, Gabriel. Mas não conseguia.
O toque do meu celular me arrancou do mar de reflexões, e me fez pular com o susto. Era Ana.
- Le onde você ta?
- To na praia.
- O QUE?
- To na praia, perto da casa do Vitor.
- Você foi até a casa dele?
- Não.
- Então porque ta ai?
- Eu vim na praia só, gostei daqui.
Ela riu.
- Que foi?
- Nada. Eu fiquei preocupada, já fazem duas horas que fui embora e sua mãe me disse que você ainda não voltou pra casa.
-Eu sei, é porque eu to na praia. Eu a avisei.
- Então ta, só queria saber se você esta bem.
- Estou.
- Então ta, beijo.
Desliguei o celular e tentei pensar em algo louco pra resolver todos os sentimentos confusos dentro de mim. Nada.
Peguei o ônibus e voltei pra casa.
(continua)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Momentos da Vida - Parte 30

Acordei 11:30 da manhã no sábado.
De tarde, lá por 1 hora, vi que Ana estava me ligando.
- Alo?
- Oi Le. Já acordou?
- Aham.
- Ta, vamos sair hoje? Eu to meio cansada, mas não to com a mínima vontade de ficar em casa.
- Eu também, então vamos.
- Ok. Te encontro no Osmet daqui meia hora.
- Ta bom então.
Osmet era uma lanchonete que eu e Ana, e o pessoal do colégio costumamos ir pra conversar e passar o tempo.
Eu me arrumei, e avisei minha mãe que eu estava saindo. Como o Osmet não era tão longe da minha casa, eu resolvi ir a pé mesmo.
Quando cheguei logo vi Ana encostada do lado de fora da lanchonete conversando com dois garotos. Quando ela me viu, ela se despediu dos meninos e veio em minha direção. Nós duas entramos juntas e sentamos na mesma mesa de sempre, logo o garçom veio atender a gente.
- Oi Le, oi Ana. O que vão quer?
- Oi, - Ana disse simpática – Eu quero só um suco de abacaxi.
- E eu quero um de laranja.
- Ta bom, já trago, meninas.
Ele andou para o balcão pra pedir nossos sucos.
- Ai Le, eu sempre achei ele tão lindo!
- O Dani?
- É! Ele tem esse charme de garçom gostoso, eu fico louca com esse jeito dele...
- Não... – Comecei perplexa – Você esta me dizendo que esta a fim do Dani?
- Não! – Ela disse apoiada sobre o cotovelo, enquanto observava ele debruçado no balcão conversando com os outros – Mas vai dizer que ele não é gostoso? Você já o viu sem camisa? Nossa... Nem comento!
Eu ri.
- Ele não é lindo? Me diz que não é? Claro que ele é! Ele é sexy! – Ela disse com um rosto animado.
- Ta, ele é gatinho, mas...
- Mas o que? Eu ficaria com ele...
Olhei pra ela com a boca propositalmente aberta.
- O que? Eu ficaria! Você não?
- Não né. Eu to namorando se você não lembra.
- Mesmo assim. Fique com ele escondido, ninguém tem que saber!
- Meu Deus, Ana você ta bem? O que deu em você? Vai lá e fique você com ele!
- Não! Eu to me concentrando no Vitor, u gosto mesmo dele, mesmo, só ele.
Quando ela terminou de falar, Dani apareceu com uma bandeja com nossos sucos.
- Aqui. Um suco de Abacaxi pra Ana, e um de laranja pra Le.
- Obrigada Dani! – Ana disse enquanto brincava com o cabelo.
Ele deu um sorriso com seus dentes brancos e saiu.
- Sério! Ele me seduz mesmo!
- É da pra ver... Mas pare com isso agora. Se você se envolver com ele, vai acabar perdendo o Vitor!
- Eu sei. Mas eu posso olhar pra ele e talvez imaginar né? Quem sabe até planejar pro futuro... – Ela disse com um sorriso malicioso.
- Falando no Vitor...
Ele estava entrando na lanchonete com mais três garotos.
- Vou lá falar com ele! – Ela disse.
- Não, não vai!
- Por quê? Ah sim! Vou esperar ele vim falar comigo... Nossa, ele é rápido, já esta vindo. Ponto pra nós amiga.
- Pra você.
- Oi Ana, oi Le. – Ele disse enquanto se apoiava com os braços morenos na nossa mesa.
- Oi Vitor. – Ana respondeu com um sorriso.
- Oi. – Eu disse.
- Então meninas, o que estão fazendo aqui?
- Viemos conversar só. O fim de semana esta muito entediante.
Eu sabia exatamente que ela estava dando indiretas pra ele convidá-la pra sair, e por sinal deu certo.
- Hum. Bom, já que tocou no assunto, eu tava pensando Ana, você não quer sair amanhã comigo?
Ela sorriu e disse:
- Ah pode ser, não tem mais nada pra fazer mesmo.
Ele riu e disse:
- Legal, te pego as oito então. Vou com o carro do meu pai.
- Ótimo. Aonde vamos?
- É surpresa.
Os dois sorriram se olhando. Então ele olhou pros outros garotos que estavam chamando.
- Depois a gente se fala mais. Tchau.
 (continua)

Momentos da Vida

Partes anteriores postadas no blog até então:
Parte 1